terça-feira, 22 de julho de 2008

Segunda gastronomica

A primeira noite no hotel novo foi mais barulhenta do que no nosso minúsculo Terrazas. Em compensação o café da manhã é melhor, os aposentos maiores e os serviços mais variados. Acordamos as 9h, nos empanturramos e dormimos novamente no conforto das cobertas sulistas até o meio dia. Optamos por um restaurante regional com pratos típicos daqui, porém, o restaurante estava fechado e nós no meio da rua. Fomos atrás de qualquer comidinha que desse pra matar a fome que só ia aumentando.
Não foi difícil. Oito passos mais a frente achamos um restaurante transado com uma promoção de almoço executivo (E que almoço executivo!): Couvert + torradas com queijo e bacon e tomate + salada de alface com palmito e tomate + fettuccine com carne de carneiro e pedimos um suco de maracujá. Quando o Dimi olhou pra trás e viu a Choppeira da Stella Atrois logo se arrependeu do suco, mas tomou mesmo assim e se contentou em pedir o chopp depois do almoço. Aí resolvemos que seria ótima idéia guardar o Couvert para acompanhar a bebida e ficamos lá defendendo-o dos Garçons que queriam a todo custo levar embora achando que não o queríamos.

Definitivamente achei o meu lugar preferido da Cidade: O calçadão Largo da Ordem, onde tem cafés, barzinhos, um sebo lindo e cheio de LPs baratos, uma pequena livraria voltada pras artes em geral (incluindo a culinária), espaços culturais, restaurantes e pequenas atrações turisticas. Um lugar lindo e interessante. Além disso tem um bar que ja nos foi muito indicado: O bar do Alemão que iremos em outro dia da viagem. Achei ali uma lojinha asiática com montes de móveis bonitos em materiais paquistaneses e tibetanos, incensos e objetos de decoração-místicos, mas o interessante mesmo foram os chás que encontrei! Mates de vários sabores e latinhas sedutoras, dava vontade de comprar todos. Saí feliz da lojinha com minha lata de chá de baunilha com pêssego que pretendo experimentar logo em breve!

A noite, estávamos apenas nós dois e decidimos ir a uma casa de fondue chamada Le Réchaud. Já chamou a atenção desde a descida do táxi, se destacando em meio à discreta Rua Julia Wanderley (que nem o taxista conhecia direito). Por fora, os tijolos com cara de demolição e, ao mesmo tempo uma construção imponente num vermelho telha atraem os olhos. Por dentro um clima sofisticado e romântico (como toda a casa de fondue deve ser). São 17 tipos: de queijo, carne, peixe, bacalhau, camarão, frango, verdura e legumes, chocolate, caramelo e mais alguns que me fogem da memória agora. Pedimos um rodízio que englobava quase tudo e fomos muito felizes com essa escolha!!! O couvert ,delicioso, era um queijinho quente com ervas finas, alho, azeite de oliva e especiarias servido com torradas e mais uma variedade de pãezinhos. Vinho Carmenére do Concha Y Toro para acompanhar e voltamos para o hotel empanturrados! Mas lá não há apenas fondues, também serve crepes, batatas suíças, raclettes, e uma lista de pratos especiais. Javali ao molho de vinho, vitela com risoto de raddichio, filé mignon ao fungi, confit de pato, faisão ao molho tinto, salmão recheado com mousse de ervas e risoto de camarão.
O fondue não é uma refeição, é uma confraternização. As pessoas se reúnem em torno de uma pequena panela cheia de óleo borbulhante e são felizes. O fondue de carne é mais alegre do que o de queijo. Neste a panela fica cheia de queijo derretido quente no qual você mergulha pedaços de pão, enquanto que no de carne você deixa os pedaços de filé fritando no óleo, espetados na ponta de garfos compridos, e os garfos ficam ali em divertido congresso dentro do óleo, cada um esperando o seu dono vir pegá-lo, pegar o garfo errado e ouvir os protestos gerais, deixar cair a carne e depois tentar pescá-la no fundo da panela - enfim, não há compostura que resista. Recomenda-se o fondue para jantares formais que logo ficam informais, para conferências de cúpulas entre o Oriente e o Ocidente e para casais brigados que querem fazer as pazes. Neste caso é preciso haver um firme desejo de paz, senão pode dar confusão com os garfinhos, outra briga e cuidado com o óleo fervendo!

by Luis Fernando Veríssimo

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